EUA abandonam Assembleia da ONU durante discurso da Venezuela


Em tempo de fala, chanceler venezuelano criticou norte-americanos por supostamente praticarem “imperialismo” contra os países latino-americanos

Os delegados dos Estados Unidos presentes no plenário da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) abandonaram a sessão desta 4ª feira (25.set.2024) durante o discurso do ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yvan Gil Pinto. Na diplomacia, a ação é um protesto que demonstra insatisfação e discordância. 

Em seu tempo de fala, o chanceler criticou diversas vezes os EUA e acusou o país de praticar imperialismo contra nações latino-americanas. O chanceler venezuelano responsabilizou os norte-americanos pelas recentes instabilidades políticas em Honduras e Bolívia, onde seus presidentes sofreram pressões para sair do cargo. 

O ministro também usou o espaço para reforçar a vitória do presidente Nicolás Maduro (Partido Socialista Unido da Venezuela, esquerda) na eleição presidencial de 28 de julho e criticar a utilização das redes sociais para propagação de “discurso de ódio” para fragilizar países periféricos, segundo ele. 

Além das críticas aos Estados Unidos, o discurso do chanceler foi pautado no apoio à autodeterminação de países subdesenvolvidos, defendendo a independência de territórios controlados por países europeus, como Bonaire, Polinésia Francesa e Nova Caledônia, e outros, como Saara Ocidental e Porto Rico.

Leia outros pontos abordados no discurso do ministro: 

  • conflito em Gaza: o ministro criticou Israel pelos bombardeios contra o enclave e os recentes ataques contra o Líbano, afirmando que o governo israelense comete o “maior crime contra a humanidade desde o fim da 2ª Guerra Mundial”. Criticou o apoio dos Estados Unidos e da União Europeia a Israel. Também defendeu a resolução de 2 Estados e salientou a participação da delegação palestina no plenário da ONU pela 1ª vez, sendo aplaudido logo em seguida;
  • guerra na Ucrânia: a Venezuela atribuiu sucesso a investida da Rússia contra a “aventura nazi” de Kiev e se mostrou contrário a ofensiva ucraniana em território russo, relembrando que Moscou “sempre se sagrou vitoriosa” em conflitos dentro de seu território.
  • Otan: afirmou que a aliança militar ocidental um mecanismo de países centrais para levar instabilidades militares a outras regiões, reprovando a “cumplicidade” do Equador e da Argentina pela criação de bases no continente sul-americano;
  • Reino Unido: foi outro país alvo de muitas críticas no discurso de Yvan Gil Pinto. Defendeu a soberania argentina sobre as Ilhas Malvinas e acusou o presidente Javier Milei (La Libertad Avanza, direita) de “trair” o próprio país no tema. Criticou o país europeu pelos supostos crimes cometidos em todos os continentes do planeta, destacando o “roubo” da região do Essequibo, cuja Guiana exerce soberania e a Venezuela reclama o território. Falou contra a decisão da Corte Internacional de Justiça de proibir a anexação da região por Caracas;
  • aliados: Caracas se solidarizou aos países sancionados economicamente, citando nominalmente Belarus, Coreia do Norte, Cuba, Eritreia, Irã, Nicarágua, Zimbábue. Não citou a Rússia, aliado importante que sofre sanções econômicas ocidentais. Classificou as sanções como “políticas criminais”.

Esta reportagem foi escrita pelo estagiário José Luis Costa sob supervisão do editor Victor Schneider. 





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